Foi preciso desconectar para conectar

Depois de ficar quase uma semana sem celular (6 dias, para ser mais exato) comecei a pensar sobre o tempo que  desperdiçamos com uma tecnologia que, na verdade, deveria nos ajudar.

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Em uma das reuniões daqui no Vale do Silício ouvi dizer que a tecnologia não é criada para deixar as pessoas mais preguiçosas, mas sim, deixar a vida delas mais aproveitável (“not lazy, but, enjoyable”). E isso faz o total sentido.

Deixar de ir ao banco pra pagar um conta com o leitor de código de barras do seu celular vai permitir que você tenha mais tempo pra praticar esportes. Sacou?

O uso abusivo do smartphone, com o tempo, pode se transformar em uma doença que é chamada de Nomofobia. Você acorda, vai ao banheiro, trabalha, transita, come e dorme com o maldito aparelho praticamente colado ao seu corpo.

Desde que me mudei pra cá tenho investido em estudar inglês e ficar, aos poucos, cada vez mais distante do Facebook, Instagram, WhatsApp e outros apps que utilizamos com frequência no Brasil. E isso me ajudou muito a focar nos estudos aqui. Mas não foi o suficiente.

Há uma semana atrás, quando estava entrando no elevador segurando livros e cadernos na mão, deixei o meu celular cair entre o vão com a porta, em uma queda de 5 andares. Foi o suficiente para espatifar a tela e me fazer esperar um dia pro técnico abrir o poço do elevador que já têm mais de 100 anos.

No primeiro momento me senti preocupado, porque precisava conversar com várias pessoas daqui sobre trabalho e estudos. Mas depois que me comuniquei com eles por Facebook e e-mail (pelo computador) fiquei beeeeem mais tranquilo.

A única coisa que me fez muita falta foi o uso do Soundcloud e do Digitally Imported. Ambos aplicativos que uso todos os dias pra garantir a música no café da manhã pros hóspedes do hotel em que trabalho.

Fora isso. Me senti livre! Como é bom viver sem ver esses posts de ódio político na timeline do Facebook. Sem mensagens sem nexo no WhatsApp. Sem ficar rolando, uma timeline sem fim, do Instagram.

Então comecei a reparar nos mais diversos hábitos que havia perdido por conta do uso desenfreado do maldito smartphone. Entre eles:

  • Deixar de usar o relógio de pulso;
  • Usar o celular como desculpa para desviar o olhar de um desconhecido – que poderia ser o seu futuro marido/esposa;
  • Deixar de usar o iPod (esse que me salvou nestes dias todos com música boa :))
  • Comer apreciando de verdade a comida – como em alguns países onde o momento da refeição é “sagrado”;
  • Observar o sol, as nuvens, os pássaros, as estrelas e o meio ambiente como um todo – uma coisa simples, mas que se você comparar o tempo que gasta olhando para uma tela de celular com o tempo que se dedica para observar o ecossistema onde vive, vai perceber que a sua planta, o seu jardim, vale muito mais do que o post do Fulano no Feice;
  • Leitura: sabe quando vc está tão cansado na cama que deixa o celular cair na sua própria cara? Que tal fazer isso com um livro? Pois então: ficar sem celular me ajudou a terminar de ler o livro sobre o Bernie Sanders (Outsider in the White House) rapidamente;
  • Comprar com dinheiro: percebi que na fila do caixa do supermercado algumas pessoas pagam com o celular (Apple Pay, etc) e cartão de crédito. Mas a menor fila disponível era a fila pra pagar com dinheiro. Parece que agora é mais conveniente usar as antigas notas de papel;
  • Conversar com mais pessoas: definitivamente, estar rodeado de pessoas interessantes é uma oportunidade gigantesca para conversar e trocar experiências. Só que ter o celular na mão me fazia perder a vez de conhecer uma nova história, todos os dias;
  • Estudar: na escola, a única coisa que senti falta foi do dicionário (dictionary.com) que me ajuda todos os dias a expandir o vocabulário daqui. Fora isso, o aprendizado nestes dias foi sem dúvidas muito maior, com mais atenção e dedicação total para as atividades em classe.

Hoje configurei o novo iPhone. A Apple costuma reciclar iPhones quebrados e o cliente paga um preço bem mais baixo por um aparelho novo em troca do aparelho quebrado. Já instalei os aplicativos básicos de conversa mas confesso que não estou nada a fim de perder o meu tempo com um aparelho que deve facilitar a nossa vida e não atrapalhar.

Valeu para o aprendizado e espero que, com o tempo, as pessoas se toquem de quão deselegante é pegar o celular na mão em uma reunião de trabalho, um encontro, um jantar ou uma simples conversa com um amigo. E nesta semana sem ele eu posso dizer: é completamente desnecessário.

Desconectar para conectar – do online pro offline, agora tudo faz mais sentido 🙂

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Uma resposta para Foi preciso desconectar para conectar

  1. Menta disse:

    Massa Gusta, boas reflexões. Enjoy!

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