O dia em que o povo acordou

sp17j-rua
Eu queria voltar pro dia dessa manifestação.

O #SP17J foi muito marcante pra mim, como acredito que tenha sido para muitos no Brasil inteiro.

Foi um dia depois das reportagens que estouraram na internet do dia 16 de junho de 2013.

Onde uma repórter da Folha foi atingida no olho com uma bala de borracha.

Vimos vários vídeos de policiais quebrando os vidros das próprias viaturas pra simular violência.

O #SP17J foi o dia que o twitter da Veja foi hackeado.

sp17j-veja

Várias empresas liberaram ses funcionários.

E nós, também fomos liberados. Com vinagre e lenços na mochila (pra aguentar qualquer gás lacrimogênio).

Andávamos nas ruas gritando “vem! vem! vem pra rua vem! Contra o aumento!”.

Naquele dia não tinha esse clima entre direita e esquerda.

Foi um dia de revolta popular contra uma força maior – e opressora.

largo da batata

E essa opressora, naquele momento, não tinha o controle da situação (informação).

Foi o dia em que milhões de jovens brasileiros viram a violência contra os estudantes PELA INTERNET.

Enquanto a grande mídia, e principalmente a Globo, passava a sua novela como se nada estivesse acontecendo no Brasil enquanto as pessoas ocupavam as ruas (barulhos de helicóptero ao fundo).

O palco do dia 16 de junho: era o quintal da minha casa. Perto do centro de São Paulo.

O campo de guerra era a Praça Roosevelt, onde os manifestantes passavam em milhares, como uma onda humana, descendo pelas largas escadarias para a Rua Augusta, enquanto a polícia, fascista, jogava bomba de gás nos estudantes.

Helicópteros acompanhavam as movimentações, como no filme minority report.

Não existiam bandeiras. Só existiam cartazes.

“Era uma composição bem heterogênea de gente. Tinham alguns movimentos ligados a partidos políticos e gente que estava lá pra protestar porque se identificava com a causa (transporte).” Giugialla Vallone, repórter da Tv Folha que levou um tiro no olho.

Depois de uma funcionária levar tiro, até a folha se posicionou neutra para fazer a cobertura dos protestos.

O Jornal Estadão omitiu muita coisa, sobre ordens do Governador, claro.

Ainda publicou dizendo que o Skaf estava apoiando as manifestações (para lançá-lo para as próxima eleições). Deveria estar cuidando das indústrias de SP, que no último ano, caíram

E dizendo que a presidenta Dilma estava sendo vaiada no mesmo dia – pelas pessoas que estavam nos estádios.

Mas a revolta não era somente contra a presidente, era contra a opressão do momento. O tema era o transporte público.

Que convenhamos: nenhuma cidade do Brasil ainda alcançou um sistema ideal para garantir transporte público de qualidade para toda a população, mesmo com Curitiba e Porto Alegre (agora com trem do aeroporto pro metrô) estando mais avançadas hoje.

No dia 16 de junho, além da jornalista da Folha, a dona Maria, que estava andando pela praça Roosevelt, também levou um tiro de borracha na cara “eu vou fazer uma ocorrência” disse ela, na mesma delegacia do meu bairro, onde fiz uma ocorrência por agressão, dos próprios policiais fascistas – ironia do universo.

tiro de borracha

No dia 17 de junho a concentração foi no Largo da Bata, com milhares de pessoas chegando, de todos os cantos. A Globo tentou fazer a cobertura, mas o repórter Caco Barcellos foi vaiado até sair.

Andamos a Av. Faria Lima e a Berrini inteiras, ocupamos a ponte Octavio Frias de Oliveira, saímos pela santo amaro até a Av. Brigadeiro Luiz Antonio.

#sp17j #vemprarua #changebrazil #ogiganteacordou #occupybrazil #ocupasampa

Uma foto publicada por Gustavo Santi (@gustavosanti) em Jun 17, 2013 às 7:56 PDT

Acompanhemos a movimentação dos estudantes que estão ocupando as escolas públicas em São Paulo na página O Mal Educado.

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