Os 10 Princípios do Burning Man

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O que faz o Burning Man ser especial é sem dúvidas vivenciar os 10 Princípios da comunidade burn durante os 7 dias no meio do deserto de Black Rock.

Confira quais são e leve eles todos os dias com você. Afinal, esse é um dos objetivos da comunidade Burn, de espalhar o bem pros quatro cantos do mundo:

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1 – Auto Expressão Radical: Liberdade para ser você mesmo.

A auto expressão surge dos dons únicos de cada indivíduo. Ninguém mais além do indivíduo, ou de um grupo colaborando, pode determinar o seu conteúdo. E isso é oferecido como um presente para os outros. Neste espírito, quem oferece deve respeitar os direitos e liberdades de quem recebe.

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2 – Auto-suficiência | Auto Responsabilidade – você é responsável por você mesmo, mentalmente e fisicamente.

O Burning Man encoraja o indivíduo a descobrir, exercitar e confiar nos próprios recursos internos.

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3 – De-comoditização– esqueça do dinheiro – não tem nada para comprar

Para preservar o espírito de presentear, nossa comunidade procura criar ambientes sociais que não são mediados por patrocínios, transações ou publicidade. Buscamos substituir o consumo por experiências participativas.

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4 – Não Deixe Rastros: De pó ao pó, deixe apenas pegadas

Nossa comunidade respeita o meio ambiente. Temos o compromisso de não deixar nenhum vestígio físico das nossas atividades. Onde quer que nos reunamos, nós limpamos depois de nós mesmos e procuramos, sempre que possível, deixar tais lugares em melhor estado do que quando os encontramos

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5 – Participação: Se envolva. Burning Man é o que fazemos.

Nossa comunidade está empenhada em uma ética radicalmente participativa. Acreditamos que a transformações quer no indivíduo ou na sociedade, podem ocorrer apenas por intermédio de uma profundamente participação pessoal. Alcançamos o ser através do fazer. Todos estão convidados a trabalhar. Todo o mundo é convidado para participar. Nós fazemos o mundo real por meio de ações que abrem o coração.

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6 – Inclusão Radical: Todos são bem vindos.

Qualquer pessoa pode ser uma parte do Burning Man. Saudamos e respeitamos o desconhecido. Não existem pré-requisitos para a participação em nossa comunidade.

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7 – Presentear: Oferecemos o nosso tempo e esforço livremente.

Burning Man estimula atos de presentear. O valor de um presente é incondicional. Oferecer um presente não contempla um retorno ou uma troca por algo de igual valor.

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8 – Co-operação: Juntos somos mais fortes

Nossa comunidade valoriza cooperação criativa e colaboração. Nós nos esforçamos para produzir, promover e proteger as redes sociais, espaços públicos, obras de arte, e métodos de comunicação que apoiam tais interações.

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9 – Comunidade: Uma família de indivíduos, nós cuidamos uns dos outros.

Valorizamos a sociedade civil. Os membros da comunidade que organizam eventos devem assumir a responsabilidade de bem-estar público e se esforçar para comunicar responsabilidades cívicas para os participantes. Devem também assumir a responsabilidade para a realização de eventos de acordo com leis locais, estaduais e federais.

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10 – Imediatismo: Faça o agora valer / esteja aqui agora.

Experiência imediata é, em muitos aspectos, a característica mais importante em nossa cultura. Procuramos superar as barreiras que se interpõem entre nós e o reconhecimento do nosso eu interior, a realidade dos que nos rodeiam, a nossa participação na sociedade, e o contato com um mundo natural superior aos poderes humanos. Nenhuma ideia pode substituir esta experiência.


Curtiu? Criei uma página com algumas dicas para quem quiser ir. Confira aqui.

*Fotos por Sidney Erthal

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Empatia é tudo

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Lidar com pessoas exige uma capacidade básica que deixamos de lado pela influência do próprio ego: a empatia.

É fácil usar a hashtag #empatia. Mas na prática, é necessário respeito, tolerância e muita, muita paciência.

Quando você passa o dia lidando com pessoas, é natural entrar no automático e correr o risco de tratá-las como qualquer coisa. E nessa, acabar machucando alguém.

O pior é quando esse alguém é um cliente.

Hoje mesmo chegou um brasileiro, e a pessoa que deveria recepciona-lo bem, acabou criando um climão porque ele não falava inglês e mal entendia o espanhol vomitado por ela.

É uma superioridade sem tamanho de uma pessoa que trabalha em uma recepção.

A pessoa ficou puta, maltratou o brasileiro tentando gritar em espanhol rapidamente. E é claro que ele não entendeu.

A sorte, é que aqui existe uma iluminada – Argentina – que visitou o Brasil várias vezes e entendia o português. Salvou o nosso amigo brasileiro falando portunhol, lentamente.

Ela ajudou o cara, com paciência, e ele entendeu tudo.
Resultado: o cara vai ficar aqui uma semana.

Meu roommate, alemão e com uma serenidade sem tamanho, super de boa, recebeu dois chineses que chegaram no meio da noite na recepção, sem falarem nada de inglês.

O que ele fez? Convidou os asiáticos para irem junto com ele pro outro lado do balcão, na frente do computador, pra traduzir, no Google Translator, as informações que eles precisavam do chinês para o inglês.

É óbvio que o chineses ficaram felizes. Por mais que o atendimento não fosse 100% do que o desejado, eles perceberam o empenho daquele que se dispôs a se colocar no lugar do outro.

Não é gritando, humilhando, ou fechando a cara para uma pessoa que se resolve um problema.

Se a pessoa é um desafio no seu negócio, você tem que ser a solução.

Ninguém merece passar por xilique xenofóbico. Muito menos um cliente, que dá prejuízo pro próprio negócio onde se trabalha.

Além de ajudar o brasileiro hoje, a argentina recebeu um grupo de espanhóis. Eles vieram de uma universidade pra apresentar projetos de startups no vale do silício.

O grupo vai passar um mês aqui com a gente e será uma grande experiência no mínimo interessante.

#EmpatiaÉTudo

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Cansei. Desisti.

Ficar triste por algo que nem é seu, não é legal. Perder a esperança também não. Mesmo que o cenário político mundial não seja dos melhores, não vale a pena gastar energia ao entrar em debates desnecessários.

Tenho voltado mais atenção para os estudos, leitura e, se for pra falar sobre política, que seja numa boa conversa olho no olho com alguém que tenha a cabeça aberta.

Essa coisa online é desgastante. É um grande desafio quando você abre o Facebook e lê uns comentários que te dão vontade de vomitar. Dá um trem dentro da gente.

É preciso segurar os dedos pra não começar uma discussão online. O que é um desperdício de energia sendo que, na sua maioria, dificilmente vai ter um fim onde os dois lados chegam num acordo.

As pessoas são diferentes, vivem realidades diferentes e só irão mudar por si só. Não adianta querer impor o seu ponto de vista, mostrar dados, utilizar bons argumentos, fontes e “notícias”.

As pessoas só mudam de opinião se elas forem lá e enxergarem com os próprios olhos, sentirem com as próprias mãos. Porque a realidade no mundo pode ter sempre dois lados pra quem os vivencia.

O que aprendi é que não podemos mudar uma pessoa, mas podemos mudar a forma como nos relacionamos com ela. Isso nós podemos!

Aprendi que, se você não vive em comunidade, você não pode querer interferir na vida de outras pessoas que você nem conhece.

É como morar em um condomínio e votar “não” pra construção de uma rampa de acesso sem conhecer o seu vizinho idoso ou cadeirante.

Já passou a era em que ler um jornal te faz sábio. Isso é conhecimento explícito. É uma coisa que “todo mundo” sabe, que faz parte do status-quo da sociedade.

Diferente do conhecimento tácito, que é mais valioso, onde o indivíduo adquire ao longo da vida pelas experiências que ele passa na sua existência. É ago difícil de explicar. É quando você vai lá e vive aquela realidade que o “jornal” não consegue repassar pra sociedade.

Abraçar as pessoas, tocar na pele e ter um contato vida a vida com o mundo é tão importante quanto ler um jornal para ter uma visão de mundo. Nem que seja na sua igreja, na sua comunidade, na sua casa.

É preciso conversar olho no olho. É preciso se colocar no lugar do outro.

Um dia, um comissário de bordo me falou, empinando o queixo “conheço o Brasil do Oiapoque ao Chuí e sei do quê ele precisa!”. Desviei a discussão sobre política na hora. Olhei pra ele fazendo um gesto de respeito com a cabeça – elevando o seu ego e soberania – mas pensando “Então tá bom, viado”.

Eu também conheço o Brasil do Oiapoque ao Chui e nunca me gabei por isso. Tive a oportunidade de trabalhar muito perto de pequenos empresários das periferias aos grandes centros urbanos do Norte, Sul, Centro e Nordeste (Recife, te amo!).

E nem foi esse empreendedorismo de palco onde muitos vão lá só pra fazer uma palestra e turismo nessas cidades. Pude ter o contato trabalhando com essas pessoas lado a lado.

Peguei avião, busão, barco e até mototaxi para estar com pequenos empresários nas mais diversas quebradas deste País. E me lembro muito bem quando tive que levantar o capacete e mostrar o meu rosto ao entrar em uma das comunidades de João Pessoa, porque quem manda lá, é o tráfico armado.

É triste escutar de alguém que só frequenta hotéis cinco estrelas e restaurantes caros dizer que sabe o que o nosso Brasil precisa.

Mas é possível ignorar, não gastar energia com isso e, ao invés de querer vencer um debate, ser a mudança que este mundo precisa.

Depois de passar por um momento de tristeza com a política, eu decidi viver. Viver mais tempo fora do mundo online. Garantir ao menos um “bom dia”, um sorriso sincero, para o maior número de pessoas por dia, mesmo que muitas delas não respondam ou pensem que você é louco.

Nos últimos tempos, aprendi que não vale a pena ficar triste, chorar e perder a esperança com tanta notícia ruim. Porque a vida é muito curta pra gastar tempo discutindo e deletando pessoas que tenham opiniões diferentes da nossa.

É preciso respeitar, não baixar o nível. É preciso aceitar as diferenças dos mundos paralelos.

Sinto que essa guerra mundial da informação vai continuar por um bom tempo. Por isso desito. Cessar-fogo! Não debato mais. Só compartilho coisas boas, e ponto.

Inclusão radical é aceitar o desconhecido, onde todos são bem vindos. Desde que se prevaleça o respeito, sem insultos, de ambos os lados.

Em tempos de ódio a melhor arma é o amor.

Dá até saudades de quando o voto era secreto. A vida fica mais leve quando nós passamos a atuar, dia após dia, para SER algo ao invés de querer TER razão sobre tudo.

Vida que segue 🙂

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A “crise” que inventaram pra você

To all my friends: I’ve been living with people around my age from many countries and all of them are complaining about the conditions that we have to pass through nowadays to survive (pay the bills, housing and education) and now I’m sure that: this “Crisis” is International and designed to be like this. As someone wins (much), most lose. Don’t believe in what the traditional media says about your country.
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Para todos os meus amigos: tenho morado com pessoas da minha idade de diversos países e todos eles estão reclamando sobre as condições que nós temos que passar nesses dias para sobreviver (pagar as contas, aluguel e educação) e estou certo que: essa “Crise” é internacional e programada para ser assim. Enquanto alguém ganha (muito), a maioria perde. Não acredite no que a mídia tradicional diz sobre o seu país.
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A todos mis amigos: en el último año he vivido con gente de mi edad de varios países y que están quejándose de las condiciones que tenemos para pasar estos días para sobrevivir (pagar facturas, renta y educación) y estoy seguro: esta “crisis” es internacional con la intención de ser de esta manera. En cuanto alguien gana (mucho), la mayoría pierde. No crea lo que los medios domimantes dice acerca de su país.
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我所有的朋友:我一直生活在我这个年纪的人们来自许多国家和所有的人都在抱怨,我们必须通过时下生存(支付账单,住房和教育),现在我的条件确认:这个“危机”是国际和设计是这样的。该赢的人(很多),大多数输。不要相信什么传统媒体说,关于你的国家。

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SOU A FAVOR – Precisamos ir além

Precisamos fortalecer o discurso do SOU A FAVOR. Ser do contra, é desperdiçar tempo com quem não merece, fornecendo mais energia para que fiquem fortes. Precisamos apoiar projetos, pessoas e ideias que acreditamos, com entusiasmo, alegria e com mensagens de amor.

sentimentos atracao

Já ouviu falar na lei de causa e efeito? Na lei da atração? Então… quanto mais nós dizemos “não” para algo, mesmo que negando alguma coisa, o universo sempre irá corresponder com aquilo que estamos pensando.

Por exemplo: se eu sempre reclamar de uma fila, no futuro, será fila que sempre irei encontrar no meu caminho.

Se eu sempre reclamar de alguém que me irrita, essa pessoa irá aparecer mais e mais vezes na minha vida.

Se eu sempre reclamar da chuva no meu caminho, o universo irá sempre me colocar em situações onde a chuva estará lá, me acompanhando, como se tivesse uma nuvem sobre a minha cabeça.

Aprendi com os meus próprios erros. Quantos mais reclamei de algo, por mais louco que seja, este algo foi potencializado e foi o que mais tive nos meus dias.

Parei com isso há algum tempo e passei a ser grato.

Grato por um dia de sol. Grato por um sorriso, por uma companhia gostosa, pela minhas amizades, pela saúde, pela comida, pelo alto estado de vida, por poder respirar…. E adivinhem? Foi o que o universo me deu em troca: mais dias de sol, mais pessoas incríveis, mais condições para saborear novos sabores, novos lugares e novas experiências prazerosas.

Com o tempo, as pessoas que te irritavam desaparecem. E pessoas que te fazem bem marcam mais presença do que as pessoas que te incomodam.

Até porque o ódio, o ressentimento e a mágoa, é um veneno que você toma pensando que o outro irá morrer.

Então vamos investir nossos pensamentos, palavras e ações em coisas positivas. Porque a energia do amor é milhões de vezes mais forte do que as mensagens de ódio.

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I survived to tell my story. My friend didn’t.

“Good morning for who is a morning person!” this is how Ale use to wake me up, by WhatsApp “My friend, make me a black coffee,  I am coming to your house right now”.

It is difficult to forget the contagious happiness of Ale. He was very dear to all that knew him. Humble, funny and with a big heart. He was the kind of person that did not care about material objects, fancy brands or ephemeral things. He knew that the most valuable thing in this world was contact with people, the companionship of friends and family.

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Alexandre Santiago, 32 years old, was brutally murdered in March 2016 between the night of Friday (4) and Saturday morning (5) in Florianopolis, Brazil. His body was found in the vicinity of a rowing club at the head of the Colombo Salles Bridge, naked and with his legs and hands tied. There were many signs of violence. Police suspected that this was a homophobic crime.

Alexander lived in the English neighborhood, Northern Island, and worked a steady job for an airline. The forensic experts who collected his body found several punctures made with a knife or pocket knife and a broken skull, probably resulting from a beating.

Flight attendant found dead the head of the Colombo Salles Bridge

While the events that preceded my friend’s murder did not involve a fight – of which there is CCTV proof – the brutality of his killing would be shocking under any circumstances. The police’s bogus claims of homelessness or involvement with drug trafficking aside, the manner in which a passive, loving man was killed in cold blood should hurt us all as human beings.

Ale was openly gay among his acquaintances, while discreet and not effeminate publicly. Nonetheless, being out of the closest at all in Brazil represents a serious risk to life.

ale-girassolWhen the Sun illuminates your home”

I spent two days thinking about his death. From the first minute I woke up until bedtime. So I decided to write this post to raise awareness of this case and a disturbing amount of others like it that take place in Brazil.

Having previously thought of moving to Florianopolis myself, I was clearly naïve in thinking that the city is better than other areas at tackling violence. After these events, my desire to return to anywhere in Brazil has been cancelled out by fear.

I spent years trying to deal with an attack that I suffered in the stairwell between the Frei Caneca Street and Avanhandava Streets in São Paulo in mid 2012. It was a Saturday night, returning by Frei Caneca Street (one considered popular with the gay community), wearing black skinny pants and a tight black shirt when a boy placed me in a headlock  and told me to “be quiet.”

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He could have stolen my cellphone. But he just wanted to immobilize me.

When I looked to the left, there was a group of 5 guys on the grass outside the stairs, between about 18 and 22 years old. Then they started running towards me.

I knew that they would catch me, as another boy, also gay, was brutally beaten and thrown down the same stairs just days ago. My first reaction, after realizing that the guy holding me was unarmed, was to deliver a blow to his stomach and with all my strength, pull my body down the stairs to try to get out.

There was nobody around at the time of the attack, either up or down the street. I cried loudly to get attention anyway, all the while taking punches and kicks all over my body.

My luck was that upon escaping and arriving at Avanhandava street, where I lived at the time, a police car appeared just when the boys ran after me. It took me a split second to yell to the police and point to the boys, after which I immediately ran away in fear of my face being remembered and for revenge attacks to then be able to take place.

Upon arriving home, three friends visited me to give support. I was trying to pretend that everything was fine and to remain strong. But in fact, in the years following the attack, I lived with a fear of walking alone on the streets and would rather always be with someone, take the bus or ride a taxi, even if the journey was just 20 minutes walking distance from my home to Paulista Avenue.

The problem was when I tried to file a police report at the 4th Police Department of Consolação, the delegate implied that it was a street fight, disregarding the significance of the case. If I wanted to make a formal complaint, I was told that i should first go to the hospital to take Tort Corps (a forensic examination).

And so the feeling of insecurity in fact worsened after going to the police station to ask for help. It proved that the Military Police of São Paulo, homophobic and without empathy is completely unprepared to deal with these cases.

In other words, instead of recording at least basic details of an attack, the police neglect people in a traumatizing moment when they are alone, making it impossible to record such cases and to prevent future occurrences. This can be fatal, as it was with Alexandre.

ale-daimokuAle: “You are one of the best people in my life!
You are incredibly brave.”
Gus: “You’re beautiful! You also have a special place here, ok? Our daimoku (mediation) was essential today. Thank you for inspiring me :)”
Ale: “Really was!!!” 
“It was my best daimoku ever!”
Gus: “haha the last ones was the best. Rest well and we will see each other soon :)”

The death of my friend just the weekend after this exchange made me reflect a lot. The feeling of insecurity returned to all aspects of my life; a paranoia about everything and everyone who knows about my sexual configuration. It made me worry for people like us, for young people and for children who are being bullied, as well as for the future of Brazil and the world itself as a whole. Even here in San Francisco, my current home and the gay capital of the world, unfortunately homophobic crimes still take place.

We need to say ENOUGH. Enough! People cannot be demeaned – as Alexandre was in this disgusting report suggesting that he was homeless and that this somewhat excused his murder – and the issue of hatred must be tackled in schools in order to prevent its root cause: prejudice.

We read reports of people who suffer from these attacks every day, yet we never have empathy enough to feel their and their loved ones’ pain. When death knocks on your door to take the people you love – destroying your dreams and hopes for the future – it is too late to show remorse for your past ignorance and intolerance. Regardless of a person being different from you, your family or those you chose to share your life with, they are an equal, cherished by others just the same, something that as a global society we must remember.

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Ale: “Saturday Class”
Gus: “Nice!”
Ale “Bud, i am missing spending the afternoons with you a lot. To drink a coffee. To meditate.”

I urge the media – unlike RBS in this abhorrent article – to pressure authorities to get more information about the case of Alexandre and the Civil Police pull up its sleeves and to perform thorough and professional investigations in the interests not only of the life of my friend, but all gays, lesbians, transvestites and transsexuals living in constant fear of being victimized.

Nothing, indeed nothing will ease the pain we are feeling now with the absence of Alexandre, yet justice and respect is the least he deserves.

*Translated by John Mumby

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Foi preciso desconectar para conectar

Depois de ficar quase uma semana sem celular (6 dias, para ser mais exato) comecei a pensar sobre o tempo que  desperdiçamos com uma tecnologia que, na verdade, deveria nos ajudar.

nomofobia-sem-celular-por-uma-semana

Em uma das reuniões daqui no Vale do Silício ouvi dizer que a tecnologia não é criada para deixar as pessoas mais preguiçosas, mas sim, deixar a vida delas mais aproveitável (“not lazy, but, enjoyable”). E isso faz o total sentido.

Deixar de ir ao banco pra pagar um conta com o leitor de código de barras do seu celular vai permitir que você tenha mais tempo pra praticar esportes. Sacou?

O uso abusivo do smartphone, com o tempo, pode se transformar em uma doença que é chamada de Nomofobia. Você acorda, vai ao banheiro, trabalha, transita, come e dorme com o maldito aparelho praticamente colado ao seu corpo.

Desde que me mudei pra cá tenho investido em estudar inglês e ficar, aos poucos, cada vez mais distante do Facebook, Instagram, WhatsApp e outros apps que utilizamos com frequência no Brasil. E isso me ajudou muito a focar nos estudos aqui. Mas não foi o suficiente.

Há uma semana atrás, quando estava entrando no elevador segurando livros e cadernos na mão, deixei o meu celular cair entre o vão com a porta, em uma queda de 5 andares. Foi o suficiente para espatifar a tela e me fazer esperar um dia pro técnico abrir o poço do elevador que já têm mais de 100 anos.

No primeiro momento me senti preocupado, porque precisava conversar com várias pessoas daqui sobre trabalho e estudos. Mas depois que me comuniquei com eles por Facebook e e-mail (pelo computador) fiquei beeeeem mais tranquilo.

A única coisa que me fez muita falta foi o uso do Soundcloud e do Digitally Imported. Ambos aplicativos que uso todos os dias pra garantir a música no café da manhã pros hóspedes do hotel em que trabalho.

Fora isso. Me senti livre! Como é bom viver sem ver esses posts de ódio político na timeline do Facebook. Sem mensagens sem nexo no WhatsApp. Sem ficar rolando, uma timeline sem fim, do Instagram.

Então comecei a reparar nos mais diversos hábitos que havia perdido por conta do uso desenfreado do maldito smartphone. Entre eles:

  • Deixar de usar o relógio de pulso;
  • Usar o celular como desculpa para desviar o olhar de um desconhecido – que poderia ser o seu futuro marido/esposa;
  • Deixar de usar o iPod (esse que me salvou nestes dias todos com música boa :))
  • Comer apreciando de verdade a comida – como em alguns países onde o momento da refeição é “sagrado”;
  • Observar o sol, as nuvens, os pássaros, as estrelas e o meio ambiente como um todo – uma coisa simples, mas que se você comparar o tempo que gasta olhando para uma tela de celular com o tempo que se dedica para observar o ecossistema onde vive, vai perceber que a sua planta, o seu jardim, vale muito mais do que o post do Fulano no Feice;
  • Leitura: sabe quando vc está tão cansado na cama que deixa o celular cair na sua própria cara? Que tal fazer isso com um livro? Pois então: ficar sem celular me ajudou a terminar de ler o livro sobre o Bernie Sanders (Outsider in the White House) rapidamente;
  • Comprar com dinheiro: percebi que na fila do caixa do supermercado algumas pessoas pagam com o celular (Apple Pay, etc) e cartão de crédito. Mas a menor fila disponível era a fila pra pagar com dinheiro. Parece que agora é mais conveniente usar as antigas notas de papel;
  • Conversar com mais pessoas: definitivamente, estar rodeado de pessoas interessantes é uma oportunidade gigantesca para conversar e trocar experiências. Só que ter o celular na mão me fazia perder a vez de conhecer uma nova história, todos os dias;
  • Estudar: na escola, a única coisa que senti falta foi do dicionário (dictionary.com) que me ajuda todos os dias a expandir o vocabulário daqui. Fora isso, o aprendizado nestes dias foi sem dúvidas muito maior, com mais atenção e dedicação total para as atividades em classe.

Hoje configurei o novo iPhone. A Apple costuma reciclar iPhones quebrados e o cliente paga um preço bem mais baixo por um aparelho novo em troca do aparelho quebrado. Já instalei os aplicativos básicos de conversa mas confesso que não estou nada a fim de perder o meu tempo com um aparelho que deve facilitar a nossa vida e não atrapalhar.

Valeu para o aprendizado e espero que, com o tempo, as pessoas se toquem de quão deselegante é pegar o celular na mão em uma reunião de trabalho, um encontro, um jantar ou uma simples conversa com um amigo. E nesta semana sem ele eu posso dizer: é completamente desnecessário.

Desconectar para conectar – do online pro offline, agora tudo faz mais sentido 🙂

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Roda Viva

Você sempre terá que mudar o texto, porque o contexto da vida sempre muda. Você evolui, o mundo evolui e as pessoas também evoluem.

Fonte: Roda Viva

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Eu sobrevivi pra contar. O meu amigo, não

“Bom dia pra quem é do dia!” me acordava o Ale, pelo WhatsApp “Amigo, passe um café preto que estou indo pra sua casa agora”.

É difícil esquecer a alegria contagiante do Ale. Ele era uma pessoa muito querida por todos que o conheciam. Humilde, brincalhão e com um coração gigantesco. Era daqueles que não dava a mínima para objetos de valor, marcas de roupas caras e coisas efêmeras. Sabia que o mais valioso no mundo era o contato com as pessoas, a companhia dos amigos e da família.

ale justica

Alexandre Santiago, de 32 anos, foi brutalmente assassinado entre a noite de sexta-feira (4) e a manhã de sábado (5) em Florianópolis. O corpo foi encontrado nas imediações dos clubes de Remo, na cabeceira da Ponte Colombo Salles, sem roupas e com as pernas e mãos amarradas. Também havia muitos sinais de violência. A Polícia suspeita de crime de homofobia.

Alexandre residia no Bairro Ingleses, no Norte da Ilha, e trabalhava para uma companhia de aviação.  Os peritos do IML que recolheram o corpo encontraram diversas perfurações feitas com faca ou canivete, além do crânio quebrado, provavelmente a pauladas.

http://tudosobrefloripa.com.br/index.php/desc_noticias/comissario_de_voio_e_encontrado_morto_na_cabeceira_da_ponte_colombo_salles

A configuração do assassinato do meu amigo passa longe de um latrocínio (assalto seguido de assassinato). Nem uma briga – coisa que o Ale jamais se envolveria – o levaria e ser assassinado com tal brutalidade. E descartamos envolvimento com tráfico de drogas, principalmente com moradores de rua – que nem por cobrança, o fariam sofrer tanto como fizeram.

Acontece que ele, mesmo não sendo afeminado e sem “dar pinta”, era assumidamente gay e fora do Armário para os seus conhecidos. O problema é que conviver com a sexualidade aberta no Brasil é correr risco de vida, sim.

ale girassol

Passei dois dias inteiros pensando sobre a morte dele. Desde o primeiro minuto que acordei até a hora de dormir. Então decidi escrever este post. Para chamar atenção para este caso e para os demais que acontecem pelo Brasil.

Eu eu era ingênuo, achava que Florianópolis era a melhor cidade do Brasil, por não ter violência em comparação com outras metrópoles violentas. Até pensara em me mudar pra lá. Mas depois desta notícia, a minha vontade de voltar para o Brasil se transformou em medo.

Passei anos pra lidar com um ataque que sofri na escadaria entre as ruas Frei Caneca e Avanhandava em São Paulo em meados de 2012. Era um sábado à noite, voltando pela Frei Caneca (rua considerada gay no centro da cidade), vestindo uma calça preta skinny e uma camiseta preta colada no corpo, quando um garoto me deu uma chave de braço no meu pescoço e pediu para eu “ficar quieto”.

local attack 2012

Ele poderia ter pego o meu celular, se ele quisesse. Mas ele só queria me imobilizar.

Quando olhei para o lado esquerdo, havia um grupo de 5 caras na grama, do lado de fora da escada, entre uns 18 e 22 anos. Que então começaram a correr na minha direção.

Eu sabia que eles iriam acabar comigo, já que um outro garoto, também gay, foi brutalmente espancado e jogado escadaria abaixo dias atrás no mesmo local. A minha primeira reação, após perceber que o cara que me segurava estava desarmado, foi dar um cotovelada na barriga dele e me puxar para frente, com todas as minhas forças, escadaria abaixo para conseguir escapar.

Não havia ninguém no momento do ataque, nem na rua de cima, nem na rua de baixo. Dei um grito alto para chamar a atenção e mesmo assim levei murros na cabeça, no pescoço, chute nas costas e rasguei o meu braço durante a fuga.

A minha sorte foi que ao chegar na rua Avanhandava, onde eu morava na época, uma viatura da polícia militar apareceu bem no momento em que os garotos corriam atrás de mim. Foi um milésimo de segundo para gritar socorro pra polícia, apontar para os garotos e decidir fugir, do que conviver com o medo de ter o rosto gravado para uma futura vingança.

Ao chegar em casa, 3 amigos foram me visitar para me dar apoio. Eu tentava dizer que estava tudo bem, me mostrando forte com a situação. Mas na realidade, nos anos seguintes ao ataque, convivia com medo de andar sozinho na rua e preferia sempre subir com alguém, pegar ônibus ou andar de Taxi num caminho que poderia ser feito 20 minutos à pé do centro para a avenida Paulista.

O problema estava quando tentei fazer o Boletim de Ocorrência, no 4 DP da Consolação, o Delegado me perguntou se fui assaltado e disse que era uma briga de rua, debochando totalmente do caso. E que se eu quisesse abrir um B.O., eu deveria, primeiro, ir ao hospital fazer exame de Corpo de Delito.

A sensação de insegurança só piora após ir a delegacia pedir ajuda. Mostra que a Polícia Militar de São Paulo, machista e sem empatia, está completamente despreparada para lidar com estes casos.

Ou seja: ao invés de registrar, ao menos, informações sobre o local do ataque, a polícia faz um descaso em um momento traumatizante, onde você está sozinho, impossibilitando o registro da ocorrência e sem a mínima vontade de combater casos como esse, que podem ser fatais, como o do Alexandre.

ale daimoku

A morte do meu amigo neste último final de semana me fez refletir muito. A sensação de insegurança voltou com tudo, como uma paranoia sobre tudo e todos que sabem sobre a minha condição sexual. Me fez repensar sobre o que quero para pessoas como nós, para jovens e crianças que estão vindo (para sofrerem mai bullying nas escolas) e para o futuro do Brasil e do mundo – porque aqui em São Francisco, capital gay do mundo, também existem crimes de homofobia, infelizmente.

É precisa colocar um BASTA. Chega! Pedir as autoridades que olhem com cuidado cada caso. Que não tratem as pessoas como um indigente – como fizeram nessa matéria falando que o Alexandre era morador de rua – e que levem a sério este tema para as escolas, cortando o problema do ódio, na raiz: o preconceito.

Lemos relatos de pessoas que sofrem com estes ataques todos os dias. Mas nunca temos empatia o suficiente para sentir a dor que todos sentem. Até que a morte bate na nossa porta e leva pessoas que amamos, que fazem parte da nossa história, destruindo sonhos e uma vida cheia de esperanças.

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Só peço que a mídia, como a RBS que fez essa matéria horrenda pressione as autoridades para que consiga mais informações sobre o caso do Alexandre e que a Polícia Civil erga as mangas e trabalhe duro em uma investigação minuciosa e profissional, em prol não só da vida do Alexandre mas de diversos gays, lésbicas, travestis e transexuais que vivem sobre o medo de ser apagado a qualquer momento desta terra.

Nada, nada irá fazer passar a dor que estamos sentindo agora com a ausência do Ale. O que queremos, no mínimo, é JUSTIÇA e RESPEITO.

*Atualizacao: vídeo mostra momento do crime. Um homem forte e uma mulher grávida (!). Ajudem a compartilhar para encontrarem estes criminosos: http://youtu.be/uqD9Q54U9DQ

 

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Sobre as escolas de SP

Concordo em que ele falhou na implementação do projeto. Faltou respeito com a truculência de sempre. Também concordo que o sistema de ensino deve mudar (e muito). Mas não concordo em fechar escolas. É uma necessidade básica do cidadão. A população cresce e não diminui. Então pela lógica da física, não se fecha, se abre. O custo vai pro bolso do estudante que tem que se locomover pra outro bairro ou outra cidade. Enfim. Acredito que essa discussão está sendo legal pra abordar a qualidade do ensino também, que está sendo expressada nas aulas livres dos professores, voluntários e alunos nessas ocupações 🙂

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