Você sempre terá que mudar o texto, porque o contexto da vida sempre muda. Você evolui, o mundo evolui e as pessoas também evoluem.
Fonte: Roda Viva
Você sempre terá que mudar o texto, porque o contexto da vida sempre muda. Você evolui, o mundo evolui e as pessoas também evoluem.
Fonte: Roda Viva
“Bom dia pra quem é do dia!” me acordava o Ale, pelo WhatsApp “Amigo, passe um café preto que estou indo pra sua casa agora”.
É difícil esquecer a alegria contagiante do Ale. Ele era uma pessoa muito querida por todos que o conheciam. Humilde, brincalhão e com um coração gigantesco. Era daqueles que não dava a mínima para objetos de valor, marcas de roupas caras e coisas efêmeras. Sabia que o mais valioso no mundo era o contato com as pessoas, a companhia dos amigos e da família.
Alexandre Santiago, de 32 anos, foi brutalmente assassinado entre a noite de sexta-feira (4) e a manhã de sábado (5) em Florianópolis. O corpo foi encontrado nas imediações dos clubes de Remo, na cabeceira da Ponte Colombo Salles, sem roupas e com as pernas e mãos amarradas. Também havia muitos sinais de violência. A Polícia suspeita de crime de homofobia.
Alexandre residia no Bairro Ingleses, no Norte da Ilha, e trabalhava para uma companhia de aviação. Os peritos do IML que recolheram o corpo encontraram diversas perfurações feitas com faca ou canivete, além do crânio quebrado, provavelmente a pauladas.
A configuração do assassinato do meu amigo passa longe de um latrocínio (assalto seguido de assassinato). Nem uma briga – coisa que o Ale jamais se envolveria – o levaria e ser assassinado com tal brutalidade. E descartamos envolvimento com tráfico de drogas, principalmente com moradores de rua – que nem por cobrança, o fariam sofrer tanto como fizeram.
Acontece que ele, mesmo não sendo afeminado e sem “dar pinta”, era assumidamente gay e fora do Armário para os seus conhecidos. O problema é que conviver com a sexualidade aberta no Brasil é correr risco de vida, sim.
Passei dois dias inteiros pensando sobre a morte dele. Desde o primeiro minuto que acordei até a hora de dormir. Então decidi escrever este post. Para chamar atenção para este caso e para os demais que acontecem pelo Brasil.
Eu eu era ingênuo, achava que Florianópolis era a melhor cidade do Brasil, por não ter violência em comparação com outras metrópoles violentas. Até pensara em me mudar pra lá. Mas depois desta notícia, a minha vontade de voltar para o Brasil se transformou em medo.
Passei anos pra lidar com um ataque que sofri na escadaria entre as ruas Frei Caneca e Avanhandava em São Paulo em meados de 2012. Era um sábado à noite, voltando pela Frei Caneca (rua considerada gay no centro da cidade), vestindo uma calça preta skinny e uma camiseta preta colada no corpo, quando um garoto me deu uma chave de braço no meu pescoço e pediu para eu “ficar quieto”.
Ele poderia ter pego o meu celular, se ele quisesse. Mas ele só queria me imobilizar.
Quando olhei para o lado esquerdo, havia um grupo de 5 caras na grama, do lado de fora da escada, entre uns 18 e 22 anos. Que então começaram a correr na minha direção.
Eu sabia que eles iriam acabar comigo, já que um outro garoto, também gay, foi brutalmente espancado e jogado escadaria abaixo dias atrás no mesmo local. A minha primeira reação, após perceber que o cara que me segurava estava desarmado, foi dar um cotovelada na barriga dele e me puxar para frente, com todas as minhas forças, escadaria abaixo para conseguir escapar.
Não havia ninguém no momento do ataque, nem na rua de cima, nem na rua de baixo. Dei um grito alto para chamar a atenção e mesmo assim levei murros na cabeça, no pescoço, chute nas costas e rasguei o meu braço durante a fuga.
A minha sorte foi que ao chegar na rua Avanhandava, onde eu morava na época, uma viatura da polícia militar apareceu bem no momento em que os garotos corriam atrás de mim. Foi um milésimo de segundo para gritar socorro pra polícia, apontar para os garotos e decidir fugir, do que conviver com o medo de ter o rosto gravado para uma futura vingança.
Ao chegar em casa, 3 amigos foram me visitar para me dar apoio. Eu tentava dizer que estava tudo bem, me mostrando forte com a situação. Mas na realidade, nos anos seguintes ao ataque, convivia com medo de andar sozinho na rua e preferia sempre subir com alguém, pegar ônibus ou andar de Taxi num caminho que poderia ser feito 20 minutos à pé do centro para a avenida Paulista.
O problema estava quando tentei fazer o Boletim de Ocorrência, no 4 DP da Consolação, o Delegado me perguntou se fui assaltado e disse que era uma briga de rua, debochando totalmente do caso. E que se eu quisesse abrir um B.O., eu deveria, primeiro, ir ao hospital fazer exame de Corpo de Delito.
A sensação de insegurança só piora após ir a delegacia pedir ajuda. Mostra que a Polícia Militar de São Paulo, machista e sem empatia, está completamente despreparada para lidar com estes casos.
Ou seja: ao invés de registrar, ao menos, informações sobre o local do ataque, a polícia faz um descaso em um momento traumatizante, onde você está sozinho, impossibilitando o registro da ocorrência e sem a mínima vontade de combater casos como esse, que podem ser fatais, como o do Alexandre.
A morte do meu amigo neste último final de semana me fez refletir muito. A sensação de insegurança voltou com tudo, como uma paranoia sobre tudo e todos que sabem sobre a minha condição sexual. Me fez repensar sobre o que quero para pessoas como nós, para jovens e crianças que estão vindo (para sofrerem mai bullying nas escolas) e para o futuro do Brasil e do mundo – porque aqui em São Francisco, capital gay do mundo, também existem crimes de homofobia, infelizmente.
É precisa colocar um BASTA. Chega! Pedir as autoridades que olhem com cuidado cada caso. Que não tratem as pessoas como um indigente – como fizeram nessa matéria falando que o Alexandre era morador de rua – e que levem a sério este tema para as escolas, cortando o problema do ódio, na raiz: o preconceito.
Lemos relatos de pessoas que sofrem com estes ataques todos os dias. Mas nunca temos empatia o suficiente para sentir a dor que todos sentem. Até que a morte bate na nossa porta e leva pessoas que amamos, que fazem parte da nossa história, destruindo sonhos e uma vida cheia de esperanças.
Só peço que a mídia, como a RBS que fez essa matéria horrenda pressione as autoridades para que consiga mais informações sobre o caso do Alexandre e que a Polícia Civil erga as mangas e trabalhe duro em uma investigação minuciosa e profissional, em prol não só da vida do Alexandre mas de diversos gays, lésbicas, travestis e transexuais que vivem sobre o medo de ser apagado a qualquer momento desta terra.
Nada, nada irá fazer passar a dor que estamos sentindo agora com a ausência do Ale. O que queremos, no mínimo, é JUSTIÇA e RESPEITO.
*Atualizacao: vídeo mostra momento do crime. Um homem forte e uma mulher grávida (!). Ajudem a compartilhar para encontrarem estes criminosos: http://youtu.be/uqD9Q54U9DQ
Concordo em que ele falhou na implementação do projeto. Faltou respeito com a truculência de sempre. Também concordo que o sistema de ensino deve mudar (e muito). Mas não concordo em fechar escolas. É uma necessidade básica do cidadão. A população cresce e não diminui. Então pela lógica da física, não se fecha, se abre. O custo vai pro bolso do estudante que tem que se locomover pra outro bairro ou outra cidade. Enfim. Acredito que essa discussão está sendo legal pra abordar a qualidade do ensino também, que está sendo expressada nas aulas livres dos professores, voluntários e alunos nessas ocupações 🙂

Eu queria voltar pro dia dessa manifestação.
O #SP17J foi muito marcante pra mim, como acredito que tenha sido para muitos no Brasil inteiro.
Foi um dia depois das reportagens que estouraram na internet do dia 16 de junho de 2013.
Onde uma repórter da Folha foi atingida no olho com uma bala de borracha.
Vimos vários vídeos de policiais quebrando os vidros das próprias viaturas pra simular violência.
O #SP17J foi o dia que o twitter da Veja foi hackeado.
Várias empresas liberaram ses funcionários.
E nós, também fomos liberados. Com vinagre e lenços na mochila (pra aguentar qualquer gás lacrimogênio).
Andávamos nas ruas gritando “vem! vem! vem pra rua vem! Contra o aumento!”.
Naquele dia não tinha esse clima entre direita e esquerda.
Foi um dia de revolta popular contra uma força maior – e opressora.
E essa opressora, naquele momento, não tinha o controle da situação (informação).
Foi o dia em que milhões de jovens brasileiros viram a violência contra os estudantes PELA INTERNET.
Enquanto a grande mídia, e principalmente a Globo, passava a sua novela como se nada estivesse acontecendo no Brasil enquanto as pessoas ocupavam as ruas (barulhos de helicóptero ao fundo).
O palco do dia 16 de junho: era o quintal da minha casa. Perto do centro de São Paulo.
O campo de guerra era a Praça Roosevelt, onde os manifestantes passavam em milhares, como uma onda humana, descendo pelas largas escadarias para a Rua Augusta, enquanto a polícia, fascista, jogava bomba de gás nos estudantes.
Helicópteros acompanhavam as movimentações, como no filme minority report.
Não existiam bandeiras. Só existiam cartazes.
“Era uma composição bem heterogênea de gente. Tinham alguns movimentos ligados a partidos políticos e gente que estava lá pra protestar porque se identificava com a causa (transporte).” Giugialla Vallone, repórter da Tv Folha que levou um tiro no olho.
Depois de uma funcionária levar tiro, até a folha se posicionou neutra para fazer a cobertura dos protestos.
O Jornal Estadão omitiu muita coisa, sobre ordens do Governador, claro.
Ainda publicou dizendo que o Skaf estava apoiando as manifestações (para lançá-lo para as próxima eleições). Deveria estar cuidando das indústrias de SP, que no último ano, caíram
E dizendo que a presidenta Dilma estava sendo vaiada no mesmo dia – pelas pessoas que estavam nos estádios.
Mas a revolta não era somente contra a presidente, era contra a opressão do momento. O tema era o transporte público.
Que convenhamos: nenhuma cidade do Brasil ainda alcançou um sistema ideal para garantir transporte público de qualidade para toda a população, mesmo com Curitiba e Porto Alegre (agora com trem do aeroporto pro metrô) estando mais avançadas hoje.
No dia 16 de junho, além da jornalista da Folha, a dona Maria, que estava andando pela praça Roosevelt, também levou um tiro de borracha na cara “eu vou fazer uma ocorrência” disse ela, na mesma delegacia do meu bairro, onde fiz uma ocorrência por agressão, dos próprios policiais fascistas – ironia do universo.
No dia 17 de junho a concentração foi no Largo da Bata, com milhares de pessoas chegando, de todos os cantos. A Globo tentou fazer a cobertura, mas o repórter Caco Barcellos foi vaiado até sair.
Andamos a Av. Faria Lima e a Berrini inteiras, ocupamos a ponte Octavio Frias de Oliveira, saímos pela santo amaro até a Av. Brigadeiro Luiz Antonio.
Acompanhemos a movimentação dos estudantes que estão ocupando as escolas públicas em São Paulo na página O Mal Educado.
Este ano foi (e está sendo) de grande aprendizado em vários setores da vida. Muitos deles em que, anos atrás, eu ignorava a oportunidade de ter mais conhecimento. Hora por não fazerem parte da minha carreira profissional, hora por falta de tempo ou então por puro desinteresse mesmo. Eram assuntos como: arte, música, física, gastronomia, astronomia e biologia.
O desinteresse nestes assuntos existe por conta de um certo “muro” que carregamos ao crescer com a sensação de que não precisamos saber MAIS sobre certas coisas que são irrelevantes para a nossa sobrevivência. Como, por exemplo, a alimentação: você nasce sendo alimentado pelo cordão umbilical ligado a sua mãe, cresce sendo alimentado por alguém por um bom tempo, passa a pagar para ter comida pronta e então cria o hábito maldito de não ter que fazer um esforço maior para preparar a sua comida – porque você não sabe. Daí acaba se dando mal porque poderia se alimentar melhor, com mais conhecimento gastronômico, preparando o seu próprio prato.
É claro que não precisamos ser experts em tudo. Mas cada ser humano, é como cada árvore, possui potencial para alguma coisa nessa vida e como cada flor dá seus frutos diferentes. E vai daí ampliar o aprendizado nessas áreas desconhecidas pra fortalecer o conhecimento em assuntos que farão com que a nossa SOBREVIVÊNCIA seja mais proveitosa. E isso não aprendemos nas escolas, nas igrejas e nas grandes organizações, já que eles querem que consumamos mais do mesmo.
Crescemos num sistema que está aí, há anos, onde nos acostumamos a escutar barulho dizendo que é música, que é “top”, e dançamos felizes com todo mundo junto achando que aquilo é arte. E nesse meio tempo da vida, gastamos anos escutando as mesmas músicas, perdemos a chance de encontrar aquele artista do outro lado da terra, que nem patrocínio de grandes marcas têm, mas que produz um som incrível, de arrepiar a pele, de fazer o coração bater forte e mexer com a nossa estrutura psíquica e biológica. São cantores, bandas e grupos das mais variadas vertentes musicais que nós podemos conhecer, TODOS OS DIAS.
Agora, com a existência da internet, nós temos acesso a tudo isso na palma das mãos: pelo celular e aplicativos.
Mas antes gostaria de falar da importância da boa música:
Você já reparou como uma música muda o ambiente de um local?
Já reparou que os supermercados colocam a mesma música pra tocar 3 vezes enquanto você compra, fazendo você perder a noção do tempo?
Já reparou quando toca aquela música que todo mundo sabe a letra como tudo muda?
Já reparou o quão chato é alguém chegar tocando funk ou poperô com volume alto no celular? Então…
Músicas que fazem você mexer o corpo
Músicas que fazem você cantar
Músicas que fazem você dormir
Músicas que fazem você pensar (oi?) – YES!
Músicas que fazem você pensar – SOM DE FUNDO BRANCO

“Notice how the source waves and the resulting complex wave are periodic — they repeat in a regular pattern. This is what happens when two waves are harmonically related (whole number multiples of each other) to the fundamental (or lowest) frequency. When two waves aren’t multiples, you get noise”
Foto: An Introduction to Sound Waves in Synthesis
Existem músicas que nos fazem pensar, sim! As músicas de fundo branco são tracks sem voz e sem letra, ou, se tiverem vozes, elas farão parte da construção musical, emitindo as mesmas vibrações, mas sem fazer “barulho”, sobrepondo a frequência da obra. O som de fundo branco possui uma harmonia nas batidas, como se fosse uma locomotiva, ativando uma zona do nosso cérebro que aumenta a concentração por não existir BARULHO.
E investir nesse tipo de música enquanto você escreve, lê, digita, corre, respira, anda, trabalha, enfim, realiza diversas atividades que exigem uma concentração maior, é sensacional. A produtividade aumenta, você se conecta no ritmo que você quiser (mais lento ou mais rápido) e tem menos chances de errar nas suas tarefas por mais mais concentração. House, deephouse, minimal e tropical, são os meus favoritos.
Mas se você não sabe a diferença entre essas batidas, não tem problema. Você pode conhecer as mais diferentes vertentes da música eletrônica no celular, pelo aplicativo da D.I. Uma rádio que possui um canal para cada tipo de vertente da música eletrônica, com transmissões ao vivo de Djs tocando do mundo todo. E se você curtir a música, você pode visualizar o nome do DJ que toca ao vivo, copiar e jogar no SoundCloud.
Ah, o Soundcloud! Quantas descobertas musicais eu tive usando este app em 2015. Com o aplicativo mobile você pode seguir artistas (cantores, bandas, DJs) e receber em primeira mão as músicas que eles publicam na plataforma. Ontem fiquei sabendo que o SoundCloud foi comprado por outra empresa. Percebi que de vez em quando aparece um advertisement entre uma música e outra. Vamos ver no que dá.
MÚSICAS QUE FAZEM VOCÊ CANTAR
Músicas com letras ou batidas fora da frequência, com picos diferentes, ondas e vibrações fora de sincronia, fazem barulho e exigem que o nosso cérebro prestem atenção na melodia. Portanto: elas influenciam diretamente no nosso organismo, criando efeitos colaterais, de verdade.
É muito bom cantar uma música, saber a letra inteira de um artista que manda muito bem contando histórias através de ua construção musical, e o sentimento que isso transmite é maravilhosa (ou não)! E por mais famosa que sejam essas músicas, elas ajudam muito a socializarmos (sobrevivência), aprendermos a falar outras línguas, conhecer novas palavras, culturas, melhorar a fluência e tudo mais.
O que fiz este ano foi escolher os artistas que mais admiro, entre clássicos nacionais e pop internacional, fazer download de todos e colocar no meu celular para escutar quando não tivesse internet. O que aconteceu foi que muitas delas salvaram momentos sociais.
Foram diferentes tipos de situações, como uma viagem no carro, um happy hour em casa com amigos, jantares a dois (Ella Fitzgerald), praia sem internet, enfim. Todas as músicas trouxeram sensações nostálgicas, lembranças de certos momentos da vida que cada um construiu ao ouvir tal musica “pop” pela primeira vez.
Muitos amigos usam rádios online como Tunein, Rdio, Apple Music, Google Music e o Spotfy, que com uma taxa mensal permite você baixar músicas para ouvir mesmo que offline.
MÚSICAS QUE FAZEM VOCÊ DORMIR (E ACORDAR)
Sim, elas existem. E escutando esse negócio que te dá sono nem parece ser uma música, mas sim um barulho no mínimo interessante, que capta a atenção do seu cérebro e te leva prum sono profundo em 15 minutos. O aplicativo I-Doser permite que você simule diferentes tipos de drogas pelas vibrações que cada construção musical oferece pro seu cérebro.
Já faz um tempo que uso ele, principalmente quando a minha cabeça está com mil pensamentos na hora de dormir. É só tomar a dose “Sleep Angel” é batata! 90% das vezes que usei, eu dormi rapidinho. Basta se concentrar, respirar fundo, deixar o corpo confortável e com a circulação liberada.
“83% of users have had at least one simulated experience with I-Doser Digital Doses.” segundo o site do app.
Já utilizei algumas vezes a dose “Beta Concentration” a caminho de fazer alguma prova ou antes de estudar, e super funcionou. Você pode testar as outras doses e comprar outras “drogas” mais pesadas. Daí você vai ter que me contar depois como foi a experiência porque eu já não sei dizer se funcionam.
MÚSICAS QUE FAZEM VOCÊ DANÇAR
Tudo vai depender do tipo de dança que você sabe – ou não. Tem gente que não sabe, não curte e nem quer aprender a dançar. Mas qualquer ser humano nesse mundo tem ao menos uma vontade inata de dançar, que surge nos pés, nos ombros, na cintura.. nas suas mais variadas formas, por pura ancestralidade. Uma ginga que surge do nada, onde muitas músicas fazem o nosso corpo se mexer quase que instantaneamente.
No meu caso, que tenho raízes brasileiras com gingado africano mixado por gerações migradas do nordeste para o sudeste do País, é fato que uma música tropical vai me animar a dançar. E pra dar um gostinho do quanto esse estímulo pode gerar uma experiência gostosa em uma festa com amigos, vou deixar só essa track do Gil Gil:
A MÚSICA É TRANSFORMADORA
Fiz um experimento social no café da manhã do hostel. Depois de reparar como as pessoas não interagiam nos outros dias em que estava trabalhando lá, desliguei a TV, levei um speaker e coloquei esse set de yoga do Burning Man, beeem chilling, pra recepcionar os hóspedes desde as 7am.
O resultado foi lindo: vários sorrisos, olhares atentos, desconhecidos conversando, trocando experiências e deixando comentários positivos sobre o som “that’s amazing!”. É impressionante como a música transforma a mente e o corpo: o efeito é latente.
Enquanto a TV, que além de iniciar o dia compartilhando notícias ruins em seus programas “padrões” pra moldar uma sociedade consumidora de seus produtos, serviços e estilos de vida, emite uma frequência que não é legal e faz as pessoas ficarem cada vez mais individualistas.
Agradeço aos meus amigos que estão sempre indicando novos artistas, novas tracks, músicas incríveis que geram nova experiências e expandem o poder da mente. Acredito cada vez mais que a boa música tem sim um poder transformador.
Há algum tempo me apaixonei pela ideia de utilizar ferramentas visuais pra tudo. Desde 2010, quando começamos a utilizar o Canvas do Business Model Generation nas atividades do Laboratorium, passei a fazer alguns testes com diversos quadros visuais que me ajudaram a nortear a organização de projetos profissionais e pessoais. E deu super certo! E sou tão grato pelas coisas bacanas que aprendi com os meus mentores que não adianta guardar tanto conhecimento bom só pra mim, por isso vou começar a postar aqui, as ferramentas visuais que mais me ajudaram e as que continuam me ajudando.
O primeiro quadro é basicão. É o dos 7 setores. Conheci a teoria por uma amiga da SGI, organização filiada à ONU, que promove a Paz, Cultura e Educação em diversas atividades pelo mundo. E foi participando de uma atividade aqui nos EUA, onde falaram sobre essa teoria, que lembrei da importância de compartilhar isso com vocês.
Essa separação dos 7 setores da vida deu uma clareada nos meus pensamentos, sobre quais objetivos lançar em cada área específica. Antes, costumava ter vários objetivos em mente, mas desprezando outros setores, como o da saúde, o financeiro e o familiar. E tê-los nos meus objetivos, como setores que precisamos tomar cuidado, ajudou muito a balancear as coisas na vida.
Estes setores também podem ser chamados de “7 saúdes”, já que a palavra saúde se refere ao cuidado em que devemos ter com cada área para manter o bem estar físico, mental e social. Mas só faz sentido utilizar este quadro quando realmente queremos alcançar algum objetivo e nos esforçamos para tal. Nada vem de fora, nada cai do céu, não existe delivery e nem aplicativo que entregará algo de graça na sua porta. O esforço, o trabalho e a persistência são extremamente necessários para conquistar qualquer coisa neste mundo.
Nós da SGI realizamos as atividades com este quadro no mês de dezembro, quando as pessoas avaliam os resultados do ano todo e já começam a traçar os objetivos do próximo ano. E o mais legal é ver os relatos com os resultados de membros que lançaram objetivos há 1 ano atrás, com a utilização do quadro. E o resultado é sensacional, mesmo! Digamos que, pelo que vi, 90% dos objetivos lançados foram concretizados. Então, funciona!
Pegue um cartolina preta ou branca, escreva os 7 setores acima, desenhe as colunas de cada um e deixe o espaço abaixo para os post-its!
Então vamos lá:
Setor Familiar
Eis o setor em que muitos não traçam nenhum objetivo. Eu mesmo falhei por muito tempo achando que “visitar a família” já era um grande esforço dentro de uma agenda atribulada de compromissos de trabalho, estudo e amigos. Mas não é só isso.
Tudo depende da sua necessidade e conjuntura familiar. Se você vive com os seus pais, talvez seja legal determinar a harmonia familiar e o que você pode fazer para que isso aconteça se torne realidade dentro da sua casa. Já se você mora sozinho e precisa visitar os seus pais, faça com que cada visita seja um incentivo para que eles fiquem felizes com a sua presença.
O contato esporádico também é muito importante, se você não tem problemas de relacionamento com eles, isso inclui irmãos (sejam eles de sangue ou não), irá ajudar muito a fortalecer as raízes e, consequentemente, você levará só as coisas boas do âmbito familiar para o seu dia a dia.
Deixe o seu objetivo bem claro no quadro. Coloque palavras e frases curtas, como: “Harmonia familiar”, “Saúde da mãe”, “Viagem em 2016”, “Felicidade do irmão X”, etc.
Setor físico
Também conhecida como saúde física, é, antes de tudo, a casa e o templo do nosso ser.
Como podemos alcançar nossos objetivos sem saúde? Qauntas pessoas perdem tempo no hospital tentando tratar uma doença que poderia ser prevenida? O que precisamos fazer, diariamente, para manter o nosso corpo funcionando perfeitamente e ter energia para lidar com os desafios diários? Somente vocês pode responder às essas perguntas.
Melhorar a alimentação, praticar exercícios físicos, melhorar a respiração, a circulação, a eslasticidade. Ou até mesmo dormir mais, se alongar diariamente, enfim, são as mais diversas atividades em que nós precisamos nos esforçar para consegir atingir um objetivo neste setor.
Tem gente que coloca objetivos mais avançados, como: correr os próximos 20Km, ganhar massa muscular, definir, perder peso, melhorar a pele, os jeolhos, e enfim. À partir destes objetivos mais “amplos”, vistos no quadro todos os dias, nosso cérebro se “programa” para que tenhamos atitudes saudáveis no dia a dia.
Exemplo.: naquele almoço durante um dia cheio de trabalho, em que você coloca tudo que é necessário no prato, mas ao chegar no caixa, encontra um mundo de opções de chocolates e sobremesas que farão o seu estômago explodir nas próximas horas. Daí que o seu cérebro entra em ação: ele diz NÃO, ele reage àquela sua fraqueza que o faria comprar uma besteira, te colocando no rumo do seu objetivo.
No início deste ano escrevi alguns posts sobre alimentação, como o dieta sem neura: como preparar a comida para a semana e o desafio da alimentação. Acredito que podem te inspirar 🙂
Vai de você determinar o que realmente quer alcançar em um ano no setor da saúde: praticar exercícios físicos, caminhar, correr, melhorar a alimentação, participar de torneios, campeonatos, jogos, etc. Qual é o seu limite? O que te impede? Só você pode responder e determinar o próximo passo.
Setor profissional
Onde você está agora? O quanto você aprendeu no último ano? O quanto você mudou, profissionalmente, nos últimos 5 anos? 10 anos? O que será necessário aprender para que você seja bom naquilo que faz nos próximos 2, 5, 10 anos? São as mais diversas perguntas que devemos nos fazer antes de traçar um objetivo para a nossa carreira.
Nos últimos anos, escrevi posts-its com objetivos de gerenciar projetos maiores, de impacto positivo na vida de milhares de pessoas pelo Brasil, principalmente para pequenos empreendedores que precisaram de ajuda. O tempo passou, e eles aconteceram. Foram 20 estados visitados no País, mais de 30 mil pessoas impactadas presencialmente e mais de 500 mil impressões online mensais. Wow! Pra quem começou como operador de telemarketing aos 18 anos, tá ótimo.
Aprendi que não devemos nos comparar com os outros, mas sim, com nós mesmos. Se nos compararmos com os outros, com um olhar de competição – como muitos se baseiam hoje – as chances de sentir frustração, inveja e outras coisas ruins são grandes. Até porque nem todos possuem a mesma realidade que você, de poder estudar em uma escola internacional quando jovem enquanto o outro na mesma idade tem que trabalhar para ajudar na renda de casa.
Tenha mentores, tenha líderes, siga pessoas que te inspiram. Mas jamais se compare aos outros. Olhe no espelho, daqui a um ano, e se compare com você há um ano atrás.
Universidades, escolas de especialização e cursos superiores nos ajudam muito a aprender coisas novas, sim. Mas o melhor é quando criamos uma rede de contatos maravilhosa que levamos para a vida toda. O networking só existe quando você é autêntico, não por simplesmente sair distribuindo cartões de visita sem fazer uma conexão legítima e humana.
O que você quer? Um novo projeto no seu Linkedin? Uma certificação internacional? 1 ano de experiência em uma área nova, que você ainda não conhece? Ou, como empresário, o que você irá fazer de novo para mehorar o seu negócio? Essa é sua!
Setor Financeiro
Ah mas eu gastei! Gastei muito! Nos tempos de faculdade, ainda, me iludi com os cartões de crédito. Fiz uma dívida gigantesca. Demorei um tempo pra pagar o meu último ano de estudos. Mas foi trabalhando muito, pagando as contas e limpando o nome, que aprendi a dar valor no meu dinheiro e a controlá-lo mensalmente.
Nós não temos educação financeira nas nossas escolas, e, infelizmente, aprendemos a lidar com dinheiro pela dor. E nesse sentido, é essencial ter uma ferramenta que te ajude a saber o quanto você gasta mensalmente, como as prestações, aluguel, condomínio, água, energia, telefone celular, Tv a Cabo (ou Nexflix ❤ ), alimentação, viagens, etc. Quanto mais detalhado, melhor.
Isso tudo pode ser feito em uma planilha no excel – existem diversos modelos pra você baixar aqui – simples, onde você coloca os principais gastos, fixos e variáveis do mês e o quanto de dinheiro entra também. Com isso, você pode fazer uma projeção, mês a mês, para ter uma ideia de como pode fechar o ano se você seguir as suas metas de economias e investimentos.
Na primeira vez, coloquei “fechar o ano com saldo positivo”, na segunda “dobrar o resultado no ano passado” e na terceira “triplicar..” e assim por diante. Já escutei pessoas que orientaram para colocar metas ambiciosas na vida financeira. Mas é preciso ter cuidado: o quanto este objetivo vai te atrapalar nos outros setores da vida?
Muitas vezes, ter dinheiro, mas não ter amigos, família e saúde pode resultar num investimento futuro em remédios, psicólogos e hospitais, que são para o resto da vida. Por isso é importante ser realista e saber o quão grande vai ser o custo de oportunidade ao determinar ganhar muito dinheiro. Get it!
Social
A saúde social ou setor social envolve muito mais do que os amigos. É também a nossa responsabilidade socio-ambiental: como você lida com o lixo que você produz? Qual o impacto da sujeira que você faz tem na vida de outras pessoas, animais e meio ambiente?
Pensar no seu social é saber que você tem poucos, mas verdadeiros amigos com quem pode contar. E colocá-los em um post-it, escrevendo o nome deles, também o fará lembrar de quanto eles te ajudaram e como você poderá ser mais presente na vida deles. E isso é sensacional, porque você acaba, de uma forma ou de outra, se encontrando com eles.
Há aqueles que querem determinar um novo relacionamento a dois. Ok. Então determine a idade, o sexo, o tipo de pessoa que você procura. E fortaleça o seu cérebro para que, sempre que conhecer alguém, a sua intuição não falhe. É muito louco ver relato de pessoas que encontraram os seus parceiros do jeito, não perfeito, mas quase com o que eles sempre desejavam.
Determine uma viagem simples à praia com os seus amigos. Ou um mochilão. Um jantar, festas, encontros, jogos ou almoços mensais. Você pode determinar tanta coisa nesse setor, que o céu é o limite e os seus amigos, parceiros e todo o meio ambiente estarão em harmonia com a sua vida.
Mental
Nem é preciso falar muito da importância da saúde mental. Em primeiro lugar, se não nos conhecermos bem, as chances de termos um piripaque na cabeça são bem grandes. Por isso é essencial que estudemos não só assuntos que nos levam à frente em nossas carreiras, mas que nos fortaleçam como pessoas.
Tente lançar objetivos que irão fortalecer a sua mente, como “ler 10 livros em inglês”, “prestar vestibular pra curso X”, “engressar num MBA, “PHD” ou até mesmo “estudar psicologia”, “conexões neurais”, etc. É tanto conhecimento nesse mundo que esse setor vai caminhar de acordo com as suas escolhas. Então, go ahead! Life is full of important choices.
Espiritual
Ok. Muita gente vai achar que não tem nada pra colocar neste setor. Mas, se pararem de seguir o que nos enfiam goela abaixo, de graça, e começarmos e estudar conhecimentos milenares de homens que observavam as estrelas, de físicos quânticos, de mestres estudiosos pelo mundo, começamos a entender o quanto estamos intimamente conectados com o cosmos.
Esqueça de pedir a Deus. Não existe um homem de barba acima das nuvens olhando o que você faz de certo ou errado. Nada cai do céu a não ser chuva, meteoros e paraquedistas aventureiros. Saiba que a ossa energia é tão poderosa que, ao pensar em uma pessoa, ela te liga. E existem diversas maneiras que potencializarmos essa conexão cósmica.
Independente da sua religião, vamos ser sensatos: o que te move? O que é essa sensação que faz o seu corpo se mexer? Você sabe que o primeiro ar que você respira, com a pressão dos planetas à sua volta, influencia o resto da sua vida com os seus comportamentos? Como você explica isso?
Sugiro estudar outras coisas além da Bíblia, do alcorão, dos Sutras Budistas e outras seitas limitadas. Não devemos ser fanáticos e sim eruditos, ao buscar conhecimento, testar, colocar em prática e compartilhar com os outros. Você pode lançar como objetivo, para o seu espiritual, a prática de uma filosofia diária acompanhada do estudo aprofundado dela, e assim, fortalecer a sua fé pelos resultados que você obtém dessas práticas. Tudo isso pode ser evidenciado em atividades em grupo da sua filosofia de vida, livros, meditação, yoga, etc. Você que escolhe!
Enfim, só você sabe o que é melhor para você mesmo. Portanto, não existe aqui uma fórmula mágica para determinar e alcançar o que você quer em cada setor da sua vida. O que posso falar é: tenha paciência, olhe para o quadro todos os dias, fortaleça a sua mente e lute para alcançar os objetivos, já que nada cai do céu de graça.
Nunca imaginei que iria passar por isso. Mas uma experiência mega desagradável aconteceu comigo na última semana. Eu poderia esperar anos para escrever sobre isso, mas não sei se estarei vivo amanhã para contar. Por isso decidi relatar neste post hoje mesmo.
Há 3 meses me mudei para os EUA, em meio a uma crise política e econômica que assola o Brasil. E pra piorar, vivemos uma década da desinformação e da indignação seletiva, onde acaba sendo natural as pessoas ficarem putas com tanta notícia ruim que que é divulgada todos os dias.
Vim para São Francisco no intuito de melhorar o meu inglês, aprender mais sobre os movimentos sociais e vivenciar uma imersão com as startups daqui. O que realmente está acontecendo (mais do que eu esperava) e me deixando cada vez mais apaixonado por esta cidade multirracial.
Acompanhando a corrida presidencial nos EUA, fiquei chocado com o posicionamento de candidatos como o Donal Trump, que diz que os imigrantes devem sair do país (!). Fora isso, o que mais me choca, é saber que existem pessoas que apoiam esse tipo de pensamento entre os Republicanos.
Mas oras, quem chegou primeiro? O que dizer dos nativos que viviam aqui e em toda a América (central e do sul)? Muitos morreram e continuam morrendo até hoje por conta dessa batalha por terras em toda a América.
Foi então que fui pego de surpresa, por uma pessoa alcoolizada, gritando palavras de ordem como “Go back home!”, “We fought forth for this country!”, “This is my house!”, “I don’t give a shit for you!” e outras frases que me fizeram pensar: o que eu fiz de errado?
Na realidade, nada demais. Estou fazendo aqui o que sempre fiz: trabalhando arduamente, estudando muito, participando de diversos eventos e reuniões com organizações locais. E talvez, digo talvez, esse movimento todo seja o que incomodou uma pessoa que, mesmo com os seus “papéis” e cidadania americana, carece de coragem pra levantar da cama e ir trabalhar, estudar e ocupar um espaço que muitos imigrantes estão ocupando com o resultado digno do trabalho deles.
Não fiquei triste com o que escutei. Não me rebaixei e nem pensei em voltar para o Brasil. Apenas me preocupei com a minha segurança física, em me manter vivo, ao saber que existem pessoas assim aqui, que abominam alguém “de fora” fazer sucesso nazamérica “deles”. Quanta ignorância.
Meses atrás um imigrante que estava ilegal matou uma jovem de 30 anos num pier mega visitado da cidade. Ele encontrou uma arma de fogo e, não sabem como, atirou na moça que estava acompanhada do pai dela. O caso gerou uma comoção e um grande debate sobre imigrantes na cidade, onde muitos vivem sem os “papéis” aqui.
O que é preciso ficar claro é que muitas pessoas se mudam, legalmente, por algum motivo relevante. Neste caso, do assassino, ele havia sido deportado para o México 5 vezes. E mesmo assim continuou voltando para o País ilegalmente.
Mas em outros casos, como o meu, que vim para estudar e vivenciar uma experiência diferente, é muito mais para somar do que subtrair oportunidades para os americanos. Eu vim para aprender com eles, ensinar o que temos de melhor da nossa cultura brasileira e mixar todas essas coisas boas. Não sou nenhum bandido, assassino ou mal caráter que irá fazer algo de ruim ou roubar a oportunidade de algum cidadão “local”.
Este caso me fez relembrar de como os nordestinos são tratados por ignorantes do Sul e Sudeste do Brasil, como em São Paulo e no Rio da Janeiro. A migração entre os Estados no País também gera muito preconceito e faz as pessoas acomodadas maltratarem aqueles que buscam uma vida melhor.
Quer um conselho? Não faça isso. Estude, trabalhe arduamente, seja alguém na vida. Se você acha que um imigrante ou quiçá migrante do seu próprio País, que chega com um sotaque quebrado, sem educação universitária e experiência profissional poderá pegar o seu lugar no mercado de trabalho, é porque você realmente merece isso.
Para mim, o mundo não têm fronteiras. Elas existem apenas para dividir os Países e suas economias. Mas nós, como animais de tetas, somos meros humanos com línguas, culturas e bagagens diferentes que passamos por uma globalização cada vez mais forte – e sem volta.
Acredito que num futuro próximo iremos vivenciar cidades multiculturais, com pessoas do mundo inteiro vivendo juntas. São Francisco é uma delas, onde o ônibus anuncia em três línguas (Inglês, Espanhol e Mandarim). Aqui você irá encontrar pessoas do mundo todo, com as suas manias mais diferentes e que você terá que aprender a respeitar.
Ao visitar o consulado descobri que somente são 60 mil brasileiros vivendo legalmente na cidade de São Francisco. Sendo que a população daqui chega nos 800 mil habitantes. É muita gente nessa penela miscigenada.
Um salve àqueles que abrem os braços para receber pessoas que se mudam buscando uma vida melhor. Um salve àqueles que respeitam o ser humano indiferente de onde ele vem. E um agradecimento do fundo do coração à todos aqueles que me receberam de braços abertos e estão me fazendo me sentir em casa, mesmo com tantos ignorantes globais que ainda existem nessa terra.
O custo de oportunidade é um dos fenômenos mais loucos dessa vida. É quando temos que abrir mão de uma coisa para poder ter outra. Até porque o nosso tempo é limitado e não se pode querer fazer tudo de uma vez só.
As chances de falhar serão grandes se gastarmos energia com várias coisas ao mesmo tempo (Brain Rules). É preciso de foco, determinação e visão clara dos nossos objetivos se quisermos realmente alcançá-los.
O universo gosta de quem está em movimento e por isso acaba nos colocando várias oportunidades no nosso caminho. Daí temos que abrir mão de algo, que não sabemos o que poderia ser no futuro, para poder se dedicar com foco no objetivo principal.
Seja para passar em um vestibular de alguma universidade, um concurso público ou para produzir no trabalho, precisamos abrir mão de vários eventos do cotidiano. E isso dói! Como uma festa com amigos, uma viagem com a família, de se mudar para outra cidade, viver um grande amor e até mesmo uma oportunidade de um novo negócio. Estamos sempre abrindo mão dessas coisas e neste tempo-espaço também existe um custo. Que pode ser pífio ou muitas vezes, enorme!
O problema é que não sabemos qual será o custo real ao abir mão de algo, se poderia dar certo ou não. O que me faz, muitas vezes, ficar com o coração na boca ou até mesmo com ele partido pelas escolhas que fazemos a cada dia.
Life is full of important choices.
Ontem foi o meu aniversário. 19 de julho de 2015. E pela primeira vez na vida, passei longe de casa, dos meus amigos e da minha família. Mas por outro lado, conheci pessoas fantásticas aqui em San Francisco que me fizeram companhia na noite de comemoração. Foi inesquecível.
Durante o dia fui a praia para aproveitar o calor – fora do normal na cidade – sozinho, para meditar e refletir sobre o último ano que passou (os 27), que não foi nada fácil, mesmo.
Li alguns artigos que falavam sobre a tal crise dos 27. Nunca fui de acreditar nessas bobagens que dizem sobre a vida e seus sofrimentos em uma determinada idade. Vários artistas se foram aos 27 anos.
Foi quando a depressão bateu forte que descobri o que é o inferno, onde ele fica, como funciona e me fez prometer a mim mesmo nunca mais querer voltar pra lá. Por isso decidi escrever este post, para ajudar pessoas que talvez estejam passando pelo mesmo momento.
A palavra depressão é usada com um certo tom de brincadeira hoje em dia. Totalmente banalizada. Mas só quem passou por isso e sentiu na pele (na verdade, na mente) sabe que é um tema sério e delicadíssimo. Eu mesmo, anos atrás, achava que depressão era viadagem, coisa de gente fresca. Acompanhava um amigo que passava por este momento ruim e achava que era loucura da cabeça dele. E pela ironia do destino, cá estou voltando desta viagem.
A doença em si se desenvolve a partir de “gavetas” que começamos a abrir em nossa mente. Digo começamos porque somos nós que fazemos as causas. É como se nós ativássemos várias partes do nosso cérebro que começam a nortear os nossos pensamentos diários, e, aos poucos, nos destruir em vários sentidos da vida, pelo nosso comportamento.
Aos 27 anos, vivi uma grande crise. Crise esta que mexeu com toda a minha estrutura psíquica. Como canceriano, muito emocional e extremamente inquieto, vivia na correria, realizando várias atividades durante a semana. Me dedicava de corpo e alma entre dois trabalhos, um como empresário e outro como funcionário, tinha aulas de inglês, facilitava cursos esporadicamente e dava palestras sobre inovação e empreendedorismo.
Atuava como voluntário em uma ONG que faço parte desde 2009, organismos sociais ligados ao governo, organizava eventos voltados ao empreendedorismo, dava consultoria gratuita para amigos e alunos dos cursos que lecionei e ainda tinha que dar atenção para a família, amigos e casamento.
Neste meio tempo li vários livros sobre comportamento humano e psicologia. Miguel Nicolelis, John Medina, Flip Flippen e Augusto Curi. Livros que pretendiam nos ajudar, entendendo melhor o nosso cérebro. Mas o que aconteceu comigo foi uma grande tempestade emocional, cheia de pensamentos negativos que me fizeram resgatar vários traumas da minha infância que influenciavam o meu comportamento diário. E esse processo foi totalmente desgastante e destruidor.
Estava em um trabalho onde a internet era lenta e isso me irritava profundamente. Vinha avisando os meus gestores sobre o problema e nada de solução. Uma das “chefes” dizia que eu era uma pessoa que reclamava muito, pelo fato de eu reportar um problema. Então passei a guardar este sentimento diário, fumava cigarro que nem um louco e acabava descontando tudo quando chegava em casa, no meu parceiro. Foi quando o meu casamento começou a desabar por pura irresponsabilidade minha.
Ok. Estar casado aos 27 anos talvez seja uma grande burrada. Mas todos sabem que o amor é cego e quando estamos apaixonados fazemos escolhas sem pensar duas vezes. E não me arrependo disso. Foi um grande aprendizado e crescimento pessoal para ambos. Mas pela minha imaturidade e com os traumas vindo à tona, lá se foi um sonho de ter uma casa juntos, viagens, família, amigos, tudo. E a sensação de ter isso tudo acabando é realmente pavorosa.
Não bastava o casamento estar chegando ao fim, comecei a enfrentar desafios no meio profissional. Era uma época que conseguia entregar muito resultado no meu trabalho. Me sentia, sim, um profissional de sucesso. Ganhava bem somando o salário e projetos paralelos como empresário. Podia viajar, ter novas experiências e bancar os meus estudos. Porém, com a minha atuação nos palcos como palestrante e apresentador de alguns eventos, outras pessoas se sentiram ameaçadas com a minha existência e, logo, começaram a me atacar.
Não querendo me fazer de vítima, mas, quem viveu estas relações comigo sabe muito bem do que estou falando.
O mercado profissional é extremamente competitivo no capitalismo ocidental. As pessoas que se agarram ao trabalho e esquecem os outros setores da vida acabam ficando doentes e estão dispostas a fazer de tudo, inclusive acabar com a vida e carreira dos outros para se manter no poder. Eu não tenho receio algum de dizer isso – sabendo que quem trabalhou comigo poder ler este post – pois tenho consciência de todos os meus atos e, quem viveu a guerra fria, sabe melhor do que eu o que é isso.
Resumindo: vivia uma pressão constante em um emprego onde, mesmo gostando muito do que eu fazia, entregando resultado e qualidade, as pessoas começaram a me perseguir e dificultar as atividades. O que é engraçado, pois como equipe, deveriam trabalhar juntas e não separadas, competindo um contra o outro. E isso é realmente desmotivador. E para mim, ficou claro que pessoas orientadas em conceitos do século XX, de competição e não de colaboração, irão morrer pensando assim.
Ouvi dizer coisas do tipo “Você não trabalha para ser felizinho”, “O mercado é uma selva onde um devora o outro”, “Ou você mata o seu concorrente ou você morre”. E, sem generalizar, todas essas frases saíram das bocas de pessoas acima dos 40, que ainda não se adaptaram ao novo jeito de trabalhar que a geração Y (eu) chegou para fazer.
Bater ponto, não ultrapassar 1 hora de almoço, 5 dias de trabalho, 40 horas por semana, de segunda à sexta, estar no escritório todos os dias – mesmo sem estrutura para trabalhar – é algo que os chefes adoram ver os funcionários fazendo. Talvez pra saciar a vontade de ver os seus “escravos” dentro da senzala, diariamente. Dando ordens e limitando o potencial profissional. Negando pedidos, sugestões e acabando com a sua motivação, criatividade e força de vontade para inovar. Tudo isso foi um grande catalizador no meu processo de depressão, porque eu não queria viver isso, mas precisava do dinheiro pra pagar o aluguel.
A energia estava tão baixa que perdi a vontade até de meditar. Parei de praticar exercícios físicos. Parei de contemplar a vida. E comecei, então, a alimentar a mente com pensamentos negativos. O que me fazia não encontrar mais saídas para o mundo que vivia naquele momento. Era um presídio tenebroso e sem colegas de cela, como se fosse uma solitária. A mágoa, o ódio e o ressentimento é um veneno que a gente toma, pensando que o outro irá morrer.
Sentia o meu peito doer, parecia que o meu coração iria parar a qualquer momento e as olheiras de cansaço (mental e físico) já faziam parte do meu dia a dia. Foi quando em agosto de 2014, em um dia “normal” de trabalho, cheguei no parapeito do prédio onde trabalhava já decidido a me jogar, cometer um suicídio e acabar com toda aquela angústia e sofrimento que estava me destruindo aos poucos.
Não sei o que passou pela cabeça, mas naquele momento, uma pontinha de esperança, me fez correr sozinho para o hospital. Me deram um antidepressivo, me afastaram por 4 dias do trabalho e me orientaram visitar um psiquiatra.
Mesmo afastado do serviço, de atestado, decidi trabalhar em um grande evento da empresa no dia seguinte. Isso por respeito ao presidente do grupo, líder nato, que me ajudou muito neste processo por simplesmente se preocupar, apenas. Porém, foi a pior decisão que tomei, no meio do furacão. Com o emocional abalado, acabei agindo de forma incorreta e, sem empatia nenhuma dos “gestores” da empresa, fui acachado não só por eles, mas pelos puxa-sacos, que fizeram da minha atuação, em dois dias, uma catástrofe profissional.
O tempo passou e não existia mais felicidade em nada. Não me sentia bem ao falar em público. Engordei uns 7 kilos, terminei o meu casamento, entreguei o apartamento, vendi tudo que havia “construído” juntos. Fui morar com um amigo e continuei no emprego, desgastante, mas com o apoio de excelentes profissionais que faziam parte da equipe.
Bebia cerveja todos os dias para tentar sentir prazer em algo. Fumava mais do que a Caipora.
Comecei a tomar remédios para depressão em dezembro. Transpirava que nem um louco a caminho do escritório. Parecia que todos os poros haviam se aberto. O coração batia aceleradíssimo e a respiração ficava cada vez mais ofegante. Eu estava realmente vivendo um inferno na terra.
Ao voltar na 3a consulta no psiquiatra, perguntei se não havia outro meio de melhorar, porque o remédio me fez emagrecer 3 quilos, me fazia transpirar demais e tinha visões ao andar na rua. Ele me disse que havia outro remédio, que me faria engordar e só traria resultados 2 meses depois de iniciar o tratamento. E a última opção seria me tratar sem remédios, mas que ele não faria sem.
Tentei outra psiquiatra que se negou a tratar a doença sem remédios. Ela disse que em 40 anos de consulta, nunca viu alguém se curar sem remédios e que seria loucura e responsabilidade total minha, por ser perigoso, parar o tratamento com os remédios.
Eu voltava pra casa chorando, praticamente todos os dias. Ninguém sabia o que eu estava passando. Fiquei afastado das redes sociais, não conseguia bolar nada, fazer propostas para clientes, palestras, aulas, NADA!
A minha sorte foi que fui morar com um amigo psicólogo. E no meio disso tudo, decidi parar de tomar os remédios para depressão, por conta própria, sem consultar os médicos. O que foi uma decisão arriscada, porém ousada. Me baseei nos livros dos mesmos caras que haviam me desconcertado, para entender melhor o funcionamento da mente.
Logo após o natal, parei de tomar cerveja. Combinei com o meu amigo de entrar em uma nova academia. Segui firme e forte uma dieta rigorosa. Enfrentei os mais diversos desaforos no trabalho. Engoli incontáveis sapos. E, somente durante o carnaval, me vi curado de uma depressão que, por pouco, poderia ter me matado.
Meses atrás, um amigo desistiu de viver. Ele se jogou do 10º andar. Dias antes, o encontrei na Av. Paulista, mas nem imaginava que ele estava passando pelo mesmo que eu. Hoje penso “eu poderia ter ajudado”.
Agradeço, principalmente, aos meus amigos. Se não fosse a presença deles, eu não sei se eu estaria aqui agora escrevendo este texto. Não sei se eu estaria aqui continuando uma vida, cheia de esperança, energia, alegria e gratidão. E me coloco à disposição, até o último dia da minha vida, para incentivar as pessoas.
Não aconselho ninguém parar de tomar remédios para depressão por conta própria. O que posso dizer, com convicção, é que tenham bons amigos por perto, sempre! E que façam atividades físicas, seja uma corrida, natação ou mesmo academia. Um corpo saudável tem igualmente um mente saudável.
Ah! E fui mandado embora do tal emprego desgastante. Aproveitei o momento e abri mão de tudo no Brasil, resumi a minha vida em uma mala e vim morar em São Francisco, na Califórnia. Agora, sem previsão de volta.
Enfim, sobrevivi os 27.
Como me disse um sábio “Agora você é um pássaro que pode voar”.
Pra quem ainda não leu, vale republicar…
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